À espera de Beckett ou QUAQUAQUAQUA

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Texto e encenação de Jorge Louraço

Trata-se de uma homenagem a Ribeirinho, cuja obra foi um exemplo de talento e dedicação, numa mistura virtuosa e singular entre o lado popular e o lado erudito do teatro. Tendo isso em mente, revisitaram-se as suas três encenações de À espera de Godot (1952). A primeira foi a seguir às eleições de 1958 (em Abril de 1959, com estreia no Teatro da Trindade), a segunda durante a longa agonia de Salazar (em Março de 1969 – ano em que Beckett recebe o Prémio Nobel da Literatura e se refugia no Hotel Cidadela, em Cascais –, novamente no Trindade), e a terceira já com o País à beira da revolução (em 1973, com uma companhia itinerante, apresentando a peça em Angola a colonos e militares).

Francisco Lopes Ribeiro (1911-1984), o Ribeirinho, estreou-se como actor em 1929 e dirigiu o seu primeiro espectáculo em 1935. Dever-se-á a esta proeminente figura do teatro português do século XX a introdução e reconhecimento em Portugal do ofício do encenador – para designar as funções que até então cabiam aos marcadores e aos ensaiadores. Dirigiu as companhias Teatro do Povo, Os Comediantes de Lisboa, Teatro da Mocidade Portuguesa e Teatro Nacional Popular, tendo ainda sido director do Teatro Nacional de D. Maria II.

Jorge Louraço Figueira (n. 1973) é professor na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), no Porto, onde coordena a Pós-Graduação em Dramaturgia. Encenador e dramaturgo, foi crítico de teatro no jornal Público entre 2005 e 2017 e desenvolve intensa e continuada actividade – académica mas não só – como investigador em teatro.

A meio da segunda parte, quando Estragão, na preciosa interpretação de Ribeirinho […] clamava do fundo da miséria humana, ternura universal, a misericórdia de um criador responsável, de um deus sensível […], naquele momento, a vibrar da cabeça aos pés, eu acreditei que o teatro português tinha acordado definitivamente.
Costa Ferreira, citado por Ana Patrão, Francisco Ribeiro: Determinação e Circunstância. Cenas de um percurso de teatro (1936-1960)

Intérpretes: Estêvão Antunes, Mário Moutinho, Óscar Silva e Pedro Diogo
Direcção de arte: Patrícia Mota
Desenho de luz: José Neves
Som: Pedro Pires Cabral
Operação de luz e som: Sérgio Moreira / Rui Seabra
Co-produção Teatro da Trindade – Fundação INATEL, Teatro Constantino Nery – Câmara Municipal de Matosinhos e Câmara Municipal de Viana do Castelo


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